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Júlio de Almeida ainda mora na Ilha Grande, para onde foi como prisioneiro em 1958 (Foto: BBC)

por Lione Acácia

Esse ano o último prisioneiro da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, completará sua sentença. Júlio de Almeida, de 83 anos, ganhou liberdade condicional antes da desativação da prisão, mas decidiu cumprir lá mesmo o resto de sua pena em liberdade condicional. Ele é o único remanescente da Colônia Penal de Dois Rios e chegou ao local em 1958 e até hoje cumpre pena e diz que dali não sai. Apaixonado pela Ilha, seu Julio parece até um tipico caiçara. Simpático ele sempre conta algum “causo” daqueles tempos aos turistas mais curiosos.

Já passaram três décadas da implosão do antigo presídio, instalado oficialmente em 1903, sendo destinado a presos políticos ou detentos com penas leves. Depois de inúmeras reformas o local foi se transformando lentamente. E quando o antigo galpão ganhou muros altos e segurança reforçada, criminosos mais perigosos  começaram a ser levados para ilha de onde era muito difícil sair.

O Caldeirão do Diabo, como era conhecido o complexo penitenciário, recebeu inúmeros presos famosos, entre eles, Graciliano Ramos, Orígenes Lessa, Agildo Barata e André Torres, escreveram sobre os dias que passaram lá. Outros mais perigosos como Madame Satã e Lucio Flávio, também foram prisioneiros de Ilha Grande. E o traficante José Carlos dos Reis Encina ficou famoso depois de protagonizar uma fuga espetacular do presídio até então, de segurança máxima. Uma das cenas mais marcantes da história do presídio, aconteceu em 1985, quando um helicóptero pousou na Praia de Dois Rios e embarcou o bandido mais temido da época, o Escadinha.

Hoje, a Vila de Dois Rios é praticamento deserta. A praia é um dos lugares mais fascinantes da ilha. Porém o romantismo e a calma do lugar são verdadeiros antagonismos ao que ele já foi há anos, quando havia o presídio. Hoje só existem escombros, e as casas ao redor da praça que, atualmente são ocupadas por pesquisadores, cientistas e técnicos da UERJ.

E mesmo depois da implosão do complexo penitenciário, a memória do presídio continua viva entre muros e escombros. As ruínas, a beleza da praia e a simplicidade do antigo vilarejo atraem turistas de toda parte do mundo.

Sobre o Autor(a)

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Lione Acácia, geminiana, apenas para constar, porque não me ligo nisso. Adoro moda, batata frita e gente de todo o tipo. Nasci perguntadeira e me especializei nisso, fazendo jornalismo. Adoro uma conversa solta, me inspiro em minhas análises do cotidiano, e faço o meu mundo baseado nos mundos de todo mundo. Não sou fútil, mas desconfio não ser útil!

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